E quando o sentimento de culpa
ataca? Pois é, não sou perfeita. Mas todos os dias tento fazer de mim uma
pessoa melhor. Ter começado esta aventura fez de mim uma pessoa mais forte,
mais determinada, com mais energia e motivação para exterminar os próximos
quilos. Ainda me faltam alguns.
A compulsão alimentar e os velhos
hábitos que fui adquirindo ao longo dos anos, tais como a alimentação incorrecta,
não desaparecem do dia para a noite.
Foram anos e anos de velhos e
maus hábitos. A minha personalidade obesa ainda habita em mim. O diabinho ainda
paira sobre a minha cabeça e por vezes diz-me “come, come, eu sei que tu queres
isso!”.
Tento manter o foco e a
determinação. Mas por alguma razão de vez em quando sinto-me mais frágil e lá
voltam os velhos pensamentos de “a comida não refila connosco”.
O único remédio
que tenho? Tentar contrariar essa tendência.
Dar tempo ao tempo. Não vale a
pena estabelecer compromissos intangíveis comigo mesma. Para que tudo corra
bem, tenho que ter consciência que tenho que ser sincera, sobretudo comigo.
Não é possível “cantar vitória”
quando ainda me falta um longo caminho para chegar até à meta que defini para
mim. Nesta transição de obesidade para adepta da vida saudável nós somos o
nosso principal inimigo. Falo em inimigo porque por vezes não somos fortes o suficiente
para resistir a todas as tentações que se cruzam no nosso caminho.
Tive que encontrar algumas
estratégias para conseguir colocar na minha mente que isto era mesmo importante
para mim. Talvez o meu maior projecto. De mim para mim.
Nos primeiros meses de dieta, e sobretudo
se temos um elevado excesso de peso (ou temos que perder muitos quilos) é
essencial ter em consideração que é necessário “cortar o mal pela raiz”. Ou
seja, não há lugar para vacilar. Se é isto que queremos para a nossa vida,
temos que cumprir com mérito tudo aquilo que nos foi prescrito. Falo na dieta, na
alimentação, no plano alimentar, no exercício físico e no treino mental.
Arranjei alguns truques que
resultaram comigo. Apercebi-me de que dizia muitas vezes aos outros e a mim
mesma: “não posso comer pão, não posso comer massa, não posso comer bolos, não
posso, não posso, não posso.”
Chegava ao final de um dia e
esgotava o plafond dos “não possos”. Assim, pensei numa estratégia mental que
me tornou uma pessoa mais positiva e mais tranquila no que respeita à
interacção da minha dieta, o eu e os outros.
“Eu não como açúcar porque não me
faz bem, eu não como açúcar porque não quero”. “Eu não como gorduras porque não
me fazem bem, não como porque não quero.” Perceberam?
Ser positiva. É bastante
importante sermos positivos quando queremos manter o foco ao mais alto nível. É
essencial livrarmo-nos daquilo e daqueles que não nos fazem bem. Afastar os
pensamentos que nos deitam abaixo é fundamental. Olhava para o espelho e
pensava naquilo que mais gostava em mim. Olhava para dentro de mim e enumerava
as minhas qualidades enquanto ser humano.
Não ceder à pressão da balança.
Não ceder à pressão dos resultados. Dar tempo ao tempo é precioso. E quando o
sentimento de culpa me invade? Busco o equilíbrio. O equilíbrio na alimentação
e nos pensamentos.
Levo isto a sério. Demasiado a sério.
Mas por vezes, fraquejo. E quando isso acontece penso em alternativas para
remendar eventuais erros que possa ter cometido na minha alimentação.
Não resisti àquele bolo? Tudo
bem, logo comerei uma sopa. Sem dramas. Não me critico. Não te critiques! O
facto de ter comido aquele bolo não irá anular tudo aquilo que eu já consegui
alcançar para me superar a cada dia.
Ser organizada. A organização foi
e é a minha melhor amiga durante todo este processo.
Se eu tiver as compras do
supermercado em dia, se eu tiver pratos saudáveis confeccionados por mim mesma
no meu frigorífico e se eu dedicar alguns minutos por dia nessa tarefa é muito
provável não ter que recorrer ao “sentimento de culpa”. Pois é. E sabem porquê?
Porque tenho tudo controlado.
O que é que eu tenho no
frigorífico?
Afinal, que pratos confecciono para manter o meu equilíbrio?
Logo conto-vos!
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