Primeira prova a superar: a fome emocional.
A obesidade para mim é uma doença. Uma doença que não se
cura quando atingimos o nosso peso ideal. Em primeiro lugar quero
esclarecer-vos o seguinte: eu não sou médica, não sou nutricionista, nem
qualquer técnica de saúde. Apenas estou aqui para vos contar a minha história
na primeira pessoa. E para mim, a obesidade é uma doença. Muito física,
obviamente, mas sobretudo psicológica. Se tivermos uma compulsão por comermos
tudo aquilo que queremos, se ficamos frustrados, tristes, enraivecidos com as
nossas atitudes para com a comida, ou se simplesmente usamos a comida como um
escape emocional temos que admitir que temos um problema. E que precisamos de controlo,
foco, força de vontade e acima de tudo: ajuda.
Todos os excelentes exemplos de superação de pessoas que
perderam muitos quilos e que adoptaram um estilo de vida mais saudável
concordam com uma realidade: o nosso “outro eu obeso” ainda paira muitas vezes
na nossa cabeça e em algumas escolhas que fazemos no que concerne à alimentação
que temos durante os nossos dias. E é nesta altura que mostramos o quão forte
somos, bem como a nossa capacidade em manter o foco em continuar esta batalha
contra a obesidade.
Confesso: por vezes é muito difícil controlar o nosso “outro
eu obeso”. Mas podemos aprender a confiar em nós e no nosso instinto. Existem
algumas regras básicas que eu segui para conseguir todos os dias tornar-me uma
pessoa mais forte, no que respeita à minha força de vontade e resiliência. Começa
aqui a minha luta contra a fome emocional.
Eu não comia para viver. Eu vivia para comer. Utilizava a
comida para me “auto-recompensar”.
Estava feliz? Comia. Estava triste? Comia. Estava stressada?
Furiosa? Comia. Estava entediada no sofá? Comia. Fui promovida no trabalho?
Vamos comer uma pizza. O dia no trabalho correu mesmo mal? Vamos comer uma
pizza. Estou sozinha em casa? Óptimo, ninguém vai ver. Vou comer um crepe com
chocolate. A comida serve de consolo. A comida não refila connosco.
A fome emocional é um vale tudo. A fome emocional leva-nos a
um sentimento de culpa. Podemos sentir-nos felizes durante uns minutos, mas
acreditem que mais longos serão os minutos em que nos sentimos culpados por
comermos aquilo que sabemos que não nos faz bem.
Quando no início deste depoimento afirmei que a obesidade é
uma doença posso fazer uma semelhança entre o consumo de álcool ou drogas: a
comida é um vício.
Para me tentar ajudar a mim mesma, escrevia num papel todos
os sentimentos que eu vivenciava quando tinha a dita fome emocional. Descobri
que os meus gatilhos eram o stress, a ansiedade, a frustração, o cansaço e obviamente
as influências familiares e sociais. Estou sempre a repetir o mesmo: a comida
faz parte da nossa vida. Comemos à mesa com os nossos amigos em festas,
eventos, em casa, no trabalho. E, sobretudo em grupo, eu tinha mais facilidade
em comer tudo o que me apetecia. E porquê? Porque estávamos todos na mesma onda
e ninguém iria reparar na quantidade ou qualidade de comida que eu ingeria.
Nunca mais me irei esquecer de uma situação que vivi, depois
de ter adoptado este estilo de vida saudável: fui ver um jogo de futebol a casa
de uns amigos, depois de um dia de trabalho. Ao chegar lá, deparei-me com uma
mesa cheia de iguarias: queijos, enchidos, molhos, álcool, pão, entre outros.
Não havia naquela mesa qualquer alimento que eu pudesse comer. Resultado: não
só aumentou a minha fome emocional, como todos os sentimentos que já vos
confessei que advém dessa mesma fome emocional. Fiquei sentada no sofá e nem ousei
sentar-me à mesa com eles.
Passados alguns dias, voltei a casa desses meus amigos. Mas
nessa altura, já estava dotada de alguns truques que sabiam que me iriam
auxiliar nesta derradeira prova: comi uma sopa antes de sair de casa, e levei
uma marmita com fruta e frutos secos. E que bem que correu! Em primeiro lugar,
senti-me com força, com menos apetite e mais confiante! Enfrentei aquela mesa
farta, sem vontade alguma de comer qualquer coisa que ali estivesse!
Este é o truque que vos deixo: comam sopa antes de sair de
casa. Assim, mesmo que cometam algum excesso, esse excesso será sempre mais
pequeno do que aquele que iria acontecer se estivessem cheios de fome. Levem
marmita para a rua. E não tenham vergonha de a usar! Todos os vossos amigos
irão compreender que esta é a vossa luta diária.
Levem queijinhos, gelatina, fruta fresca, frutos secos,
queijo fresco… o que vos apetecer! Também costumo levar fruta desidratada
(apesar desta ser um pouco mais cara em relação aos outros produtos). Arranjem
ferramentas e truques para vos auxiliarem.
O mais importante é continuar a
conviver com os nossos amigos, e, sobretudo, continuarmos a sorrir!
Se vamos ter rugas, que seja de tanto sorrir!
Olá estou a seguir o teu blog e estou a adorar , revejo me em muitas coisas . Fome emocional , pensamentos sabotadores etc ,deixam me louca . Não sou gorda mas detesto estar mais gorda e sobretudo a barriga aumenta logo , em junho estava com 66kg consegui perder até setembro 7kg , ok tudo bem e agora simplesmente descarrilei não sei quanto já engordei e acho que não sou capaz de voltar .
ResponderEliminarBoa noite. Muito obrigada pelo teu comentário. Foi mesmo por isso que decidi fazer este blogue. Sei que existem imensas pessoas a passar pelo mesmo ou semelhante. Desejo-te boa sorte e obrigada por seguires o meu blogue, é muito importante para mim!
EliminarNão façam dietas restritivas! Já ouviram falar da paleo?
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