quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Medo do desconhecido

Durante todo este processo de aquisição de hábitos de vida saudáveis cheguei a uma conclusão muito importante: temos que comer para emagrecer.
Quando referi que os primeiros dias ou até meses de mudança de hábitos alimentares são muito difíceis acreditem: eu não estava a exagerar.
E porque é que digo isto? Conto-vos a minha experiência.

Numa primeira fase, ou seja, quando tomamos consciência de que temos que fazer alguma coisa por nós, o primeiro pensamento é o seguinte: dieta, restrição, falta de prazer, comer pouco, enfim: passar/ter fome.
E ao mesmo tempo em que pensamos em restrição (algo que para quem tem uma compulsão alimentar é altamente ameaçador), surge-nos no horizonte outro grande pensamento: o medo da mudança, o medo do desconhecido. Como assim?
Durante anos e anos fui educada a alimentar-me de um certo modo, que hoje sei que de todo não era o mais correcto. Não por culpa de ninguém, a não ser de mim mesma.
Quando somos obesos seguimos um certo esquema alimentar que em nada se parece com um esquema: basicamente comemos tudo aquilo que nos apetece, ou em suma, tudo aquilo que nos dá prazer. E depois a culpa, ou o descontrolo, ou a tristeza. E o pior disso tudo? Quando perdemos a noção do equilíbrio.
E agora que decidimos mudar, a primeira pergunta que surge é a seguinte: quais os primeiros passos a dar? O que é que posso comer? A minha dieta diária irá ser baseada numa alimentação monótona? Sem sabor? Onde é que irá parar a minha motivação no meio disto tudo? Irei eu conseguir levar isto avante? Falta-me a coragem, falta-me a motivação? Como é que sei que estou a ter escolhas acertadas ou saudáveis, se nem um rótulo eu sei ler?
Não posso comer alimentos ricos em açúcar. Ok, até aí tudo bem. 
Entretanto, numa ida ao supermercado chegou a altura de fazer escolhas. Boas escolhas. Vou eliminar o açúcar.
Então e os glícidos, a dextrose, a maltose, a maltodextrina, a frutose e o xarope de milho? Tudo isto é açúcar. Açúcar mascarado.
Tudo isto requer tempo, paciência calma, auto-controle, motivação e acima de tudo: força de vontade.
Boas notícias para quem quer adoptar um estilo de vida mais saudável: não estamos sozinhos nesta luta. Não podemos fechar-nos numa bolha. 
Hoje em dia a internet é um mundo sem fim de sites e páginas de facebook de onde podemos retirar alguma inspiração.
E para além disso, pode funcionar como uma terapia: partilhar com os outros tudo aquilo que de bom temos feito. As nossas comidas, os nossos desabafos, as nossas experiências.
Nestes últimos tempos tenho-me apercebido de que cometo erros alimentares quando já passei há muito da hora em que deveria ter comido. Ou seja, para que isso não aconteça deixo-vos uma dica importante, que me tem ajudado bastante: levem a vossa comida para todo o lado. Não passem muitas horas sem comer. 
Comam para emagrecer.

E nunca se esqueçam: nós somos aquilo que comemos!


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O sentimento de culpa

E quando o sentimento de culpa ataca? Pois é, não sou perfeita. Mas todos os dias tento fazer de mim uma pessoa melhor. Ter começado esta aventura fez de mim uma pessoa mais forte, mais determinada, com mais energia e motivação para exterminar os próximos quilos. Ainda me faltam alguns.
A compulsão alimentar e os velhos hábitos que fui adquirindo ao longo dos anos, tais como a alimentação incorrecta, não desaparecem do dia para a noite.

Foram anos e anos de velhos e maus hábitos. A minha personalidade obesa ainda habita em mim. O diabinho ainda paira sobre a minha cabeça e por vezes diz-me “come, come, eu sei que tu queres isso!”.
Tento manter o foco e a determinação. Mas por alguma razão de vez em quando sinto-me mais frágil e lá voltam os velhos pensamentos de “a comida não refila connosco”. 
O único remédio que tenho? Tentar contrariar essa tendência.
Dar tempo ao tempo. Não vale a pena estabelecer compromissos intangíveis comigo mesma. Para que tudo corra bem, tenho que ter consciência que tenho que ser sincera, sobretudo comigo.
Não é possível “cantar vitória” quando ainda me falta um longo caminho para chegar até à meta que defini para mim. Nesta transição de obesidade para adepta da vida saudável nós somos o nosso principal inimigo. Falo em inimigo porque por vezes não somos fortes o suficiente para resistir a todas as tentações que se cruzam no nosso caminho.
Tive que encontrar algumas estratégias para conseguir colocar na minha mente que isto era mesmo importante para mim. Talvez o meu maior projecto. De mim para mim.
Nos primeiros meses de dieta, e sobretudo se temos um elevado excesso de peso (ou temos que perder muitos quilos) é essencial ter em consideração que é necessário “cortar o mal pela raiz”. Ou seja, não há lugar para vacilar. Se é isto que queremos para a nossa vida, temos que cumprir com mérito tudo aquilo que nos foi prescrito. Falo na dieta, na alimentação, no plano alimentar, no exercício físico e no treino mental.
Arranjei alguns truques que resultaram comigo. Apercebi-me de que dizia muitas vezes aos outros e a mim mesma: “não posso comer pão, não posso comer massa, não posso comer bolos, não posso, não posso, não posso.”
Chegava ao final de um dia e esgotava o plafond dos “não possos”. Assim, pensei numa estratégia mental que me tornou uma pessoa mais positiva e mais tranquila no que respeita à interacção da minha dieta, o eu e os outros.
“Eu não como açúcar porque não me faz bem, eu não como açúcar porque não quero”. “Eu não como gorduras porque não me fazem bem, não como porque não quero.” Perceberam?
Ser positiva. É bastante importante sermos positivos quando queremos manter o foco ao mais alto nível. É essencial livrarmo-nos daquilo e daqueles que não nos fazem bem. Afastar os pensamentos que nos deitam abaixo é fundamental. Olhava para o espelho e pensava naquilo que mais gostava em mim. Olhava para dentro de mim e enumerava as minhas qualidades enquanto ser humano.
Não ceder à pressão da balança. Não ceder à pressão dos resultados. Dar tempo ao tempo é precioso. E quando o sentimento de culpa me invade? Busco o equilíbrio. O equilíbrio na alimentação e nos pensamentos.
Levo isto a sério. Demasiado a sério. Mas por vezes, fraquejo. E quando isso acontece penso em alternativas para remendar eventuais erros que possa ter cometido na minha alimentação.
Não resisti àquele bolo? Tudo bem, logo comerei uma sopa. Sem dramas. Não me critico. Não te critiques! O facto de ter comido aquele bolo não irá anular tudo aquilo que eu já consegui alcançar para me superar a cada dia.
Ser organizada. A organização foi e é a minha melhor amiga durante todo este processo.
Se eu tiver as compras do supermercado em dia, se eu tiver pratos saudáveis confeccionados por mim mesma no meu frigorífico e se eu dedicar alguns minutos por dia nessa tarefa é muito provável não ter que recorrer ao “sentimento de culpa”. Pois é. E sabem porquê? Porque tenho tudo controlado.

O que é que eu tenho no frigorífico? 
Afinal, que pratos confecciono para manter o meu equilíbrio?

Logo conto-vos!




terça-feira, 18 de outubro de 2016

Prontos para começar?

Engraçado. Enquanto pensava para mim mesma este título “prontos para começar?” pensei logo de seguida: que irónico, Telma. Hoje aqui estou eu, a incentivar os outros a adquirirem hábitos de vida saudáveis. Sabem, quando vivemos na primeira pessoa esta doença que é a obesidade, e quando comprovamos que é de facto possível fazermos mais e melhor por nós, sentimo-nos ainda mais motivados a querer ajudar os outros que ainda não encontraram a motivação ou a força para dar o primeiro passo. 

Alguém por aí?

Quero muito que sintam a alegria que eu também senti com as minhas primeiras vitórias. Custa muito? Custa bastante! Mas quando olhamos para o espelho ou quando recebemos um elogio vindo de alguém quando menos esperamos… tudo isso supera qualquer adversidade que tenhamos passado anteriormente.
Mas para onde começar? Quando eu decidi perder peso consultei um nutricionista. Tinha a noção de que o facto de ter que “prestar contas” a alguém no final do mês poderia ser uma ferramenta muito importante para eu não sair da linha. 
Concordam comigo quando eu vos digo que a obrigatoriedade de mostrar resultados positivos a alguém faz-nos não querer desistir do objectivo que traçaram?
É uma espécie de trabalho em equipa em que nós somos o capitão da mesma. 
O nutricionista deu-me as primeiras luzes de que precisava. Saber o que comer e quando comer. Optar pela qualidade e não pela quantidade. Não passar fome. Comer para emagrecer.
Ele vai ser um dos vossos melhores amigos neste processo. E todas as dúvidas que tenhamos são mesmo para serem colocadas!
Depois, o segundo passo: eu sou a minha melhor amiga, e irei apoiar-me a mim mesma, com unhas e dentes! A nossa casa é o nosso forte! Se não tivermos batatas fritas e bolos em casa de certeza que não iremos cometer algum desaire quando surgir o monstro da fome emocional enquanto estamos deitados no sofá! Não tenham nada em vossa casa. Durante uns 2 meses eu nem sequer percorri o corredor dos doces no supermercado!
E o que comer quando a fome ataca? Sopa! Muita sopa! 
Em primeiro lugar é de fácil digestão. E para quem não tem o cuidado de beber muita água, esta tem uma capacidade hidratante fenomenal! É, na minha opinião, um dos pratos mais saciantes.
 É a minha arma preferida na luta contra a fome. Sabem, quando sei que vou ter um jantar de amigos como sempre uma sopa antes de sair de casa. Assim, sei que as probabilidades de ingerir alimentos calóricos diminuem.
Terceira dica: ingiram alimentos que vos deixem saciados. Deixo-vos alguns que, na minha opinião, me ajudaram bastante. Primeiro, porque são saudáveis, têm propriedades que nos são benéficas e acima de tudo – são baratos.
Bananas. Quando tenho muita fome como uma banana média. Costumo colocar um pouco de canela, pois torna-a mais apetecível, e ao mesmo tempo, a canela funciona como um acelerador de metabolismo. Queijo flamengo com pouca gordura. Costumo andar sempre com um queijinho da babybel na minha marmita.
Iogurte sólido magro: costumo adicionar uma colher de aveia integral, linhaça e um pouco de canela. Frutos secos, ovos, sementes (linhaça, chia..), abacate, batata doce, quinoa, grão,  entre outros.
Quarta dica: sejam aventureiros na cozinha! Façam da vossa marmita um motivo de orgulho! Reservem tempo do vosso dia para dedicarem à confecção dos vossos próprios alimentos.
Lembrem-se: a obesidade é uma doença física, mas muito psicológica. Sejam criativos na cozinha. Leiam livros, pesquisem receitas. 
Recentemente comprei um espiralizador, custou cerca de 10€. A partir daí o meu esparguete é diferente: esparguete de curgete!



Sobretudo mantenham-se calmos. Leiam o vosso livro preferido, assistam à vossa série preferida. Conversem muito com os vossos amigos, dediquem tempo de qualidade ao que realmente vos dá prazer. O principal gatilho da fome emocional e da compulsão alimentar é, sem dúvida, os nossos estados depressivos, o nosso estado de ansiedade.



Pergunto novamente: prontos para começar?

domingo, 16 de outubro de 2016

A primeira pesagem

Prometi a mim mesma. Como se costuma dizer “take it easy”. Muita calma nessa hora. Essa é sem dúvida uma premissa muito importante para quem quer tentar vencer a luta contra a obesidade. Um quilo de cada vez. 

Nos primeiros meses de mudança de estilo de vida saudável é quando perdemos o maior número de quilos – ou de volume. Mas por incrível que pareça, eu estava tão focada em não cometer nenhum erro, em não ceder à fome emocional, que mal olhava para mim. Sim, olhava-me ao espelho todos os dias, mas não tinha a mínima noção do meu processo de transformação. Não me pesava em casa. E ainda continuo com esse hábito. Apenas me peso 1 vez por mês quando vou visitar o meu nutricionista.
Como já tinha referido anteriormente, o primeiro mês de dieta ou de mudança é o mais complexo de todos. Pelo menos para mim foi. O corpo ressaca, literalmente. Tinha dores de cabeça, picos de humor, que oscilavam entre a tristeza, a frustração e o pensamento de “será que vou mesmo conseguir?” “Sempre fui obesa, será que existe remédio para mim?”
“É possível perder quilos e alterar a fisionomia do meu corpo?”
Incrível, não é? Sempre me vi como uma pessoa com quilos a mais, obesa. Nunca imaginei a minha fisionomia de outra forma. Pensava mesmo que por mais dietas que pudesse fazer iria ficar sempre na mesma. Talvez porque nos habituamos a ver a nossa figura deste modo. Talvez porque a solução é sempre comprar roupa mais larga. Não queremos admitir que algo não está bem connosco. Não queremos ouvir os conselhos dos outros. Mas um dia, é dia. E esse dia chegou no dia 1 de Junho quando decidi ser feliz. Ou ainda mais feliz.
1 mês passado desde a primeira consulta do nutricionista. Todos sabemos quais os riscos que advém de maltratarmos o nosso corpo. Não é uma questão só de estética. E esse foi o primeiro facto que constatei na consulta de Nutrição.
Gordura visceral. Já ouviram falar? Eu nunca tinha ouvido falar sobre tal assunto. Mas lidei com ele na primeira pessoa. Na prática, existe uma escala que mede a nossa gordura visceral, que é basicamente a gordura que se acomoda dentro e à volta dos nossos órgãos, principalmente nos órgãos da cavidade abdominal e pélvica. Envolve órgãos como o estomago, o fígado e o intestino. É uma gordura extremamente perigosa para a saúde. Ela é activa metabolicamente e liberta substâncias que são prejudiciais para o nosso organismo.
Quanto mais gordura visceral tivermos, mais resistentes ficamos à insulina, o que poderá resultar em doenças como o diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e até mesmo alguns tipos de cancro, como o cancro de mama e do colon. Na primeira consulta de nutrição eu tinha um nível 8 de gordura visceral, ou seja, um nível de alerta máximo. Estava doente. Hoje, passei do nível 8 para o nível 4 desta “escala de perigo”. Em apenas 4 meses e com uma alimentação saudável.
Vamos ao que interessa. E o peso? Quanto é que perdi na primeira consulta de pesagem? Lembro-me como se fosse hoje, e já lá vão 4 meses. Tinha borboletas na barriga. Tinha medo de me decepcionar. Tinha medo de decepcionar os outros que tanto confiaram em mim. Não sabia se o meu corpo estava a reagir ao meu trabalho árduo. Chego ao consultório e descalço-me. Tinha o coração a mil. Enfrentei a balança. Respirei fundo, fechei os olhos e subi. Do outro lado ouvi um “Ena pá! Até preciso de uma calculadora para fazer contas!”. Não sabia se aquelas palavras do nutricionista eram de alegria ou de decepção, tanto que estava nervosa.
Perdi 7 kg e 1% de gordura. Do nível 8 de gordura visceral passei para um 6. Não queria acreditar. Senti-me poderosa. Senti-me orgulhosa de mim mesmo! Não cabia de tanta felicidade. Não cabia dentro do consultório! Acho que até comecei aos saltos e tudo!
Saí para a rua. Liguei para as pessoas mais importantes. Chorei. Mas chorei de alegria, muita alegria. Tinha conseguido! O primeiro esforço tinha valido a pena!

A partir daqui, sou invencível! Me, myself and I. Estou pronta para a luta! Tudo leva o seu tempo, mas para obtermos resultados temos que lutar por eles.

Hoje assinala-se o dia mundial da alimentação. Querem um dia melhor para começarem a vossa luta contra a obesidade?




quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Adepta fanática da marmita!

Depois da tempestade… perda de peso!


Comecei esta aventura no dia 1 de Junho de 2016. Tinha 93kg e cerca de 43% do meu corpo era composto por massa gorda. Também já vos confidenciei que o primeiro mês de adaptação a este novo estilo de vida saudável foi um pouco doloroso, na medida em que o organismo sofre uma transformação, tanto física como psicológica, que nem sempre é fácil de controlar. Especialmente nos dias em que nos sentimos mais cansados, mais frustrados ou tristes. Lembram-se de vos ter dito que a comida não refila connosco? Lembram-se de vos ter dito que a comida serve-nos de conforto? Pois é. Esse foi o primeiro obstáculo que tive que superar.
A partir do momento em que decidi tornar-me uma pessoa mais saudável tomei consciência que tinha que passar a ver a comida como minha aliada. E que teria que aprender muitas curiosidades sobre alimentos e alimentação saudável. Recusava-me a cozinhar sempre as mesmas refeições. Sabia que iria com certeza sabotar a minha dieta se não fosse criativa e se não arranja-se mecanismos para me manterem motivada.
A partir daí, comprei livros de cozinha saudável, comecei a seguir alguns blogues que abordam esta temática e… dei asas à imaginação!
A minha marmita passou a ser o meu suporte para conseguir levar o meu projecto avante.
Em primeiro lugar porque a comida saudável é cara. E nem sempre os sítios que frequentamos têm as refeições de que necessitamos.
Durante a minha semana de trabalho apenas consumo os alimentos que trago de casa. Alimentos que são confeccionados por mim. Sei as quantidades de sal e gordura que têm, pois fui eu que os cozinhei! E quem melhor para cozinhar que nós próprios?
Acreditem que o facto de ter as minhas doses de comida cozinhadas e programadas com antecedência ajudaram-me bastante. Confesso que no início não achava piada nenhuma à obrigação de ter que deixar a marmita pronta antes de ir dormir. Mas como o ser humano é um ser de hábitos, hoje posso dizer-vos que não me custa nada! Passou a ser uma tarefa rotineira que desempenho com todo o gosto!
O que é que levo na minha marmita? 
Levo sempre uma dose de gelatina baixa em calorias e isenta de açúcares. Uma peça de fruta, sendo que por vezes costumo cortá-la e coloco um pouco de canela por cima. (faço isso muitas vezes com banana). Levo sempre 2 doses de queijinhos baixos em gorduras: para o lanche da manhã, um queijinho babybel e para o lanche da tarde um queijinho da vaca que ri (light). Os frutos secos são essenciais. Mas não ando com um pacote inteiro na mala! Levo a conta certa! Uma pequena porção, cerca de 4 nozes e algumas avelãs e cajús ao natural. E as bolachas? Apenas 3 bolachas Marinheiras. Com uma fatia de fiambre de perú em cima de cada uma. E o almoço? Carne ou peixe, sempre acompanhado apenas de legumes, quinoa, grão, salada. Nada de massas e arroz!
Quando não trago a minha comida de casa sei que estou exposta a um nível elevado de tentações. Mas nada disso me faz desistir! Um grande truque que eu tenho para quando sei que vou almoçar fora do escritório: ligo sempre para o restaurante a perguntar os pratos do dia. E vou adiantando o pedido: “com legumes salteados, e sem batata no prato, por favor!”.
É uma excelente ideia. E para resistir às entradas? Peço imediatamente uma sopa ou uma salada!

Vou fotografar algumas das minhas marmitas para vos dar algumas ideias do que ando a cozinhar aqui em casa!


Resultado? Desde o dia 1 de Junho de 2016 até à data de hoje…16kg perdidos! 

Conseguem imaginar a minha alegria?

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A fome emocional

Primeira prova a superar: a fome emocional.

A obesidade para mim é uma doença. Uma doença que não se cura quando atingimos o nosso peso ideal. Em primeiro lugar quero esclarecer-vos o seguinte: eu não sou médica, não sou nutricionista, nem qualquer técnica de saúde. Apenas estou aqui para vos contar a minha história na primeira pessoa. E para mim, a obesidade é uma doença. Muito física, obviamente, mas sobretudo psicológica. Se tivermos uma compulsão por comermos tudo aquilo que queremos, se ficamos frustrados, tristes, enraivecidos com as nossas atitudes para com a comida, ou se simplesmente usamos a comida como um escape emocional temos que admitir que temos um problema. E que precisamos de controlo, foco, força de vontade e acima de tudo: ajuda.
Todos os excelentes exemplos de superação de pessoas que perderam muitos quilos e que adoptaram um estilo de vida mais saudável concordam com uma realidade: o nosso “outro eu obeso” ainda paira muitas vezes na nossa cabeça e em algumas escolhas que fazemos no que concerne à alimentação que temos durante os nossos dias. E é nesta altura que mostramos o quão forte somos, bem como a nossa capacidade em manter o foco em continuar esta batalha contra a obesidade.
Confesso: por vezes é muito difícil controlar o nosso “outro eu obeso”. Mas podemos aprender a confiar em nós e no nosso instinto. Existem algumas regras básicas que eu segui para conseguir todos os dias tornar-me uma pessoa mais forte, no que respeita à minha força de vontade e resiliência. Começa aqui a minha luta contra a fome emocional.
Eu não comia para viver. Eu vivia para comer. Utilizava a comida para me “auto-recompensar”.
Estava feliz? Comia. Estava triste? Comia. Estava stressada? Furiosa? Comia. Estava entediada no sofá? Comia. Fui promovida no trabalho? Vamos comer uma pizza. O dia no trabalho correu mesmo mal? Vamos comer uma pizza. Estou sozinha em casa? Óptimo, ninguém vai ver. Vou comer um crepe com chocolate. A comida serve de consolo. A comida não refila connosco.
A fome emocional é um vale tudo. A fome emocional leva-nos a um sentimento de culpa. Podemos sentir-nos felizes durante uns minutos, mas acreditem que mais longos serão os minutos em que nos sentimos culpados por comermos aquilo que sabemos que não nos faz bem. 
Quando no início deste depoimento afirmei que a obesidade é uma doença posso fazer uma semelhança entre o consumo de álcool ou drogas: a comida é um vício.
Para me tentar ajudar a mim mesma, escrevia num papel todos os sentimentos que eu vivenciava quando tinha a dita fome emocional. Descobri que os meus gatilhos eram o stress, a ansiedade, a frustração, o cansaço e obviamente as influências familiares e sociais. Estou sempre a repetir o mesmo: a comida faz parte da nossa vida. Comemos à mesa com os nossos amigos em festas, eventos, em casa, no trabalho. E, sobretudo em grupo, eu tinha mais facilidade em comer tudo o que me apetecia. E porquê? Porque estávamos todos na mesma onda e ninguém iria reparar na quantidade ou qualidade de comida que eu ingeria.
Nunca mais me irei esquecer de uma situação que vivi, depois de ter adoptado este estilo de vida saudável: fui ver um jogo de futebol a casa de uns amigos, depois de um dia de trabalho. Ao chegar lá, deparei-me com uma mesa cheia de iguarias: queijos, enchidos, molhos, álcool, pão, entre outros. Não havia naquela mesa qualquer alimento que eu pudesse comer. Resultado: não só aumentou a minha fome emocional, como todos os sentimentos que já vos confessei que advém dessa mesma fome emocional. Fiquei sentada no sofá e nem ousei sentar-me à mesa com eles.
Passados alguns dias, voltei a casa desses meus amigos. Mas nessa altura, já estava dotada de alguns truques que sabiam que me iriam auxiliar nesta derradeira prova: comi uma sopa antes de sair de casa, e levei uma marmita com fruta e frutos secos. E que bem que correu! Em primeiro lugar, senti-me com força, com menos apetite e mais confiante! Enfrentei aquela mesa farta, sem vontade alguma de comer qualquer coisa que ali estivesse!
Este é o truque que vos deixo: comam sopa antes de sair de casa. Assim, mesmo que cometam algum excesso, esse excesso será sempre mais pequeno do que aquele que iria acontecer se estivessem cheios de fome. Levem marmita para a rua. E não tenham vergonha de a usar! Todos os vossos amigos irão compreender que esta é a vossa luta diária.
Levem queijinhos, gelatina, fruta fresca, frutos secos, queijo fresco… o que vos apetecer! Também costumo levar fruta desidratada (apesar desta ser um pouco mais cara em relação aos outros produtos). Arranjem ferramentas e truques para vos auxiliarem. 

O mais importante é continuar a conviver com os nossos amigos, e, sobretudo, continuarmos a sorrir!

Se vamos ter rugas, que seja de tanto sorrir!


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O primeiro dia!

Primeiro dia de grandes mudanças. Um primeiro dia cheio de pequenos passos, que iriam revelar-se grandes passos, caso me comprometesse comigo mesma. (Se nem eu acreditava em mim, como poderiam os outros acreditar?!).

Já vos contei a história da primeira ida ao supermercado, mesmo depois de ter saído do consultório do Nutricionista? Imaginam a confusão que pairava na minha cabeça? Produtos light? Produtos magros? Sem adição de açúcar? Meu deus, vou passar fome? Irei eu conseguir levar isto avante? E aos poucos e poucos ia fazendo um “check” na lista de produtos básicos que o nutricionista me “prescreveu”. Só pensava para mim mesma: “Telma, limita-te a comprar aquilo que ele te disse que podias comer nesta primeira fase de dieta”. (Sim, sou perita em falar comigo mesma…!).
Sabem uma coisa? Os primeiros dias de dieta são terríveis. Mas não é pelo facto de termos noção que temos que passar de um 8 para um 80 no que concerne à quantidade e, sobretudo, qualidade daquilo que comemos. A primeira dificuldade com a qual me deparei foi a seguinte: O que poderei comer para me sentir saciada? É que de facto, irei passar fome com esta lista que me foi ditada! Mas depois a minha razão disse-me: “Telma, a obesidade é uma doença. Física e psicológica. Tens quase 100 kg, é normal que te sintas assoberbada com tanta informação!”.
Acabei de chegar a casa. Nesta primeira semana de dieta fui viver para casa da minha mãe. Que ideia genial! A minha mãe foi desde sempre uma das pessoas que me impulsionava para esta mudança de hábitos. Não bastou a minha ida ao supermercado, a minha mãe também tinha ido. E adivinhem? Ela revelou-se a minha melhor amiga! Eu estava assustada, estava confusa, e ela estava ali para mim! O dia seguinte seria um dia de trabalho, um dia de longas horas no escritório. Ali poderia comer todas as bolachas e doces que me apeteciam. Mas não. A minha mãe fez a minha primeira marmita. A minha primeira marmita que ditou o início da minha vida saudável. Tudo aquilo que eu poderia comer estava naquela pequena lancheira. Cumpri tudo, à regra.
Antes de sair de casa comi o meu primeiro pequeno-almoço saudável. 1 iorgurte sólido com canela, linhaça e aveia. Descoberta número 1: escolhi o iogurte mais azedo do mercado! Azar o teu Telma, agora comes e não choras!
Já no escritório, lembro-me de chegar e de ter confidenciado a todos os meus colegas que aquele seria o meu primeiro dia de dieta. Nessa época, eu ainda usava o termo “dieta”. Agora falo em “estilo de vida saudável, escolhas saudáveis e nutritivas”. Lembro-me que algumas pessoas olharam para mim com olhar de desdém, algo do género: “Ok… daqui a bocado estás a comer 1 pacote de bolachas Maria”.
Hoje agradeço a todos esses olhares de desdém. Porque só me deram ainda mais força para continuar! E hoje, essas pessoas são minhas amigas, e estão tão felizes por mim quanto eu!
Só podia voltar a comer às 09h30/10h00. Meu deus, lembro-me tão bem…olhava para o relógio do meu computador a cada 2 minutos. Para não sair da linha, levantava-me da cadeira à hora certa para cumprir todos os rituais da “dieta”. Durante quase 1 mês olhei para o relógio do meu computador. Era a minha fome emocional a tentar derrubar-me. Fome emocional. Já ouviram falar nisso? Eu já. E no próximo post irei explicar-vos que a fome emocional é o Adamastor dos iniciantes da vida saudável que ainda têm pensamentos obesos. Fome física? Carência por açúcar? Fraqueza? Sentimento de tristeza? Isso. Essa fui eu durante os primeiros tempos em que decidi mudar de vida. Irei revelar-vos tudo.

E por aí? Alguém que queira partilhar comigo a sua história? Gostava tanto de vos ler. Queria receber desse lado a força que espero estar a transmitir a quem está a passar pelo mesmo que eu. Queria que me falassem da força que vos fez mudar.
Fico à vossa espera em telma.duarte_@hotmail.com


Fiquem bem e aceitem-se. Aceitem-se porque #engordamenos! 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Mudanças!

A nova dieta  

O novo estilo de vida saudável!

E lá saí da minha primeira consulta de Nutrição, decidida a mudar de vida. De facto ter um corpo de 55 numa personalidade de 25 anos não ajudava em nada. Logo eu, que sempre fui extrovertida, logo eu que sempre fui aquela que fazia os outros rir. Logo eu, que nunca tive confiança em mim mesma…
Mesmo antes de regressar a casa e poder cimentar tudo aquilo que tinha aprendido na consulta de Nutrição, passei por um supermercado. Com o meu novo plano alimentar em punho, tentei cumprir à regra tudo aquilo que me tinha sido “prescrito”. Confesso, foi uma aventura!
Lição de sobrevivência número 1 – fazer dieta não é barato!
De qualquer maneira, fui uma aluna exemplar desde o primeiro dia e passo a descrever-vos o meu dia-a-dia, no que concerne ao meu novo plano alimentar:
Logo pelas 07h30 da manhã, bem antes de sair de casa, apenas me era permitido comer 1 iogurte sólido magro, sem açúcar, acompanhado de 1 colher de sopa de aveia, 1 colher de sopa de linhaça e uma colher de chá de canela. O leite foi completamente abolido da minha nova alimentação, assim como o pão, pelo facto de este conter fermento, uma matéria que em nada me auxiliaria neste processo de perda de peso.
Por volta das 09h30/10h00, comia uma peça de fruta e uma porção de gelatina, daquelas de 10 kcal.
Antes do almoço, mais ou menos às 11h30 comia um queijo fresco magro pequeno, com um pouco de pimenta (aprendi que a pimenta é uma óptima aliada no aceleramento do nosso metabolismo, principalmente para aqueles que pretendem perder peso).
Durante a minha hora de almoço, podia comer qualquer proteína, desde que magra, grelhada ou cozida, como carnes brancas e peixe, acompanhada de salada ou vegetais. Resumidamente, o meu prato tinha que seguir um esquema, que era mais ou menos este: metade proteína e outra metade legumes e/ou salada.
Assim, ficavam de parte quaisquer tipos de hidratos de carbono, açucares, fritos, e pão.
Durante o lanche, comia 3 bolachas “marinheiras”, com uma fatia de fiambre de perú em cada uma delas, acompanhada de 1 queijinho da vaca que ri (a versão light), ou de um mini queijinho babybel. Introduzi os frutos secos na minha alimentação, e ao lanche comia umas 4 nozes (fiquei viciada em frutos secos, confesso!).
Ao jantar, apenas comia sopa (sem batata, sem cenoura, e com muita curgete!), e antes de me deitar podia comer uma gelatina, caso tivesse fome.
Durante o dia era muito importante assegurar que bebia muita água, cerca de 1litro e meio a 2litros/dia. Não acreditam na importância que a água teve e ainda tem em todo este processo.
Conseguem imaginar a diferença que eu senti logo numa primeira fase? Sim, o meu corpo começou aos poucos a responder a este novo incentivo de comer menos e melhor, mas confesso: foi muito, muito difícil a adaptação. Passar de um 8 para um 80. Todos os dias estava a maltratar o meu corpo, com as quantidades industriais de açúcar e gorduras más que ingeria. Com o sedentarismo que impunha a mim mesma. 

Hoje sei que 70% daquilo que somos devemos àquilo que comemos. Como me poderia sentir com energia se comia tanto açúcar?

Agora que já conhecem a minha dieta inicial posso confidenciar-vos: esta é ainda a dieta que me acompanha no meu dia-a-dia, mais com uma diferença: hoje os pratos que cozinho são muito mais saborosos, vistosos e adivinhem… descobri um hobbie novo: o gosto pela cozinha!

No próximo post irei falar-vos sobre a fase inicial da dieta: as dificuldades emocionais e psicológicas com as quais me deparei, a forma como me defendi de mim mesma, a forma como superei todas as tentações que teimavam em não sair da minha frente.
E sim… o açúcar é uma droga. E sim, passamos por uma quase “desintoxicação” de açúcar.


Deixo-vos uma foto daquilo que eu nunca quererei voltar a ser. Desta foto apenas quero conservar uma coisa: o meu sorriso. 
Esse, que nunca desapareça!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Sim, aceita que engorda menos! :-)

“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos”. (Eduardo Galeano)


Olá a todos! O meu nome é Telma, tenho 26 anos e vivo em Lisboa.


Decidi escrever um blogue. Porquê? Para vos dar a conhecer um pouco da minha história, que penso que poderá ser inspiradora para
muitas pessoas que, como eu, estão a pensar em mudar a sua vida – para melhor. Para quem, como eu, quer aprender a gostar de si mesmo. Para vos provar que de facto é mesmo possível adquirir hábitos de vida saudáveis.
Aceita que engorda menos. Foi este o meu primeiro pensamento quando decidi mudar de vida. Mudar de vida, literalmente. Prefiro não falar em dietas, mas sim adoptar um estilo de vida saudável. E é tão bom aprender a comer. É tão bom descobrir novos paladares! É tão bom criar novas rotinas, sendo uma delas o planeamento de refeições que nos vão fazer sentir mais saudáveis, mais orgulhosos de nós mesmos e que sobretudo fazem um brilharete com os colegas de trabalho! J “Oh Telma, a tua comida é tão bonita!”.
E de repente, sem ter qualquer formação na área da nutrição, tinha colegas e amigos a pedirem-me conselhos, tal era o empenho e a alegria que eu demonstrava por cada quilo perdido, por cada vitória que conquistava! A marmita que levo para o trabalho é um grande motivo de orgulho para mim! Deixei de lado os pacotes de bolachas com os quais me empaturrava durante as longas horas em que passo no escritório. Mudei a tendência de comprar roupas largas para me disfarçar dentro delas. Decidi enfrentar um desafio, talvez o desafio mais difícil da minha vida. E estou a conseguir.
Uma bela manhã, em que tinha marcada uma consulta de Medicina no Trabalho deparo-me com a realidade, aquela realidade que eu não queria ver, que estava bem diante dos meus olhos: eu era obesa, eu sou obesa. A enfermeira alertou-me para as consequências nefastas que o meu estilo de vida não saudável poderiam trazer para a minha saúde: desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes, por exemplo.
A partir daí, marquei uma consulta de nutrição. A primeira consulta foi terrível. Foi um abrir de olhos, foi o “tocar com o dedo na ferida”.

Panorama geral: tinha 25 anos, num corpo de 55 anos. Sim, é verdade. A idade do nosso corpo pode mesmo ser diferente da nossa idade de nascimento, e a minha era o dobro daquilo que eu pensava ser/ter. Tinha 93 kg e cerca de 42,5% do meu corpo era gordura ou massa gorda.


Prontos para me conhecerem o final da minha aventura? ;-)